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Estudar no Quebec com bolsa integral

Postado por:Catherine Potvinem:08/12/2015

Camila, Wagner e Jefferson são 3 ex-alunos da École Québec muito batalhadores, apaixonados pelo mundo e dedicados em dominar o francês que resolveram fazer um D.E.C. (equivalente do curso tecnólogo brasileiro) num Cégep e conseguiram bolsa integral. Fizemos algumas perguntas a eles a fim de inspirar outros brasileiros que gostariam de seguir este caminho.

Wagner foi o primeiro dos três a inscrever-se no Cégep, aliás, foi o primeiro aluno da École Québec a escolher o PEQ como meio de imigração. Ele iniciou o curso de tecnólogo em gestão de design gráfico em agosto de 2013. No Brasil, já era formado e tinha uma carreira bem encaminhada, mas desejava uma mudança, um desafio.

Camila era analista de mídias sociais em São Paulo antes de ir estudar no Quebec em agosto desse ano no mesmo curso e Cégep que o Wagner. Foi acompanhada do marido que obteve um visto de trabalho e encontrou rapidamente um emprego na área de T.I.

Jefferson, que era engenheiro civil no Brasil, está cursando Museologia desde agosto passado no Collège Montmorency. Foi acompanhado do marido que também arrumou rapidamente um trabalho na sua área.

 

1. Porque resolveu estudar no Quebec?

Wagner: No início, queria ir morar em Toronto pois já conhecia a cidade, mas um amigo me falou sobre as possibilidades de viver, trabalhar e estudar no Québec. Pesquisei e me interessei, mesmo sem falar nada de francês. Decidi ir para o Québec, porque procurava uma mudança de vida e principalmente uma evolução na minha carreira. O Québec é aberto a receber jovens profissionais e suas perspectivas profissionais são muito interessantes. Achei que era a oportunidade perfeita e me joguei!

Camila: Eu decidi partir para o Québec junto com o meu esposo porque ambos estávamos cansados da vida que levávamos em São Paulo. Nós sentíamos que não tínhamos tempo para nada que não fosse o trabalho, devido ao tamanho da cidade e de seu ritmo frenético de vida. Outra coisa que nos incomodava imensamente era a violência, nós dois nunca nos sentíamos de fato seguros, não importava onde fôssemos.

Na primeira vez que ouvi sobre o Québec, o frio assustou um pouco, mas pesquisando mais afundo vimos mais vantagens do que desvantagens e demos o primeiro passo, começar a estudar o francês. Começamos então na École Québec no início de 2014, depois de ouvir de amigos que também estavam com planos de imigrar que era uma excelente escola para este fim.

Jefferson: Eu tenho amigos que imigraram para cá e eles me chamavam a todo momento, mas por quase 5 anos deixei a ideia de lado. Quando conheci meu esposo descobri que ele também desejava imigrar, então resolvemos pesquisar sobre o assunto. Foi quando conheci a École Québec, através do documentário “O último que sair fecha a porta”. No começo, fizemos o curso de francês para dar entrada na imigração permanente, mas descobrimos através da Catherine que havia uma forma mais rápida de vir para cá, através do PEQ, com possibilidade de bolsa durante os estudos.

2. Quais bolsas você obteve e por que acha que conseguiu?

Wagner: Consegui a bolsa de isenção [1](bourse d’exemption des droits de scolarités supplémentaires pour étudiants étrangers) do Cégep International e 4 bolsas de excelência [2](melhores notas em 2014 e 2015, espírito de leadership em 2015 e aluno do ano em 2015).

Camila : Consegui uma bolsa de isenção no CEGEP que escolhi e foi um momento absolutamente inacreditável, era tudo que precisávamos e um pouco mais! Com essa bolsa ao invés de pagar por volta de $ 15.000,00 por ano, passamos a pagar $183,00 e o que já tínhamos pago nos foi reembolsado. Acredito ter conseguido a bolsa por causa da minha boa nota no TFI (Teste de Français Internacional) e pelo meu bom desempenho no CEGEP, uma vez que só consegui a bolsa após o início do meu curso.

Jefferson: Ganhei a bolsa de isenção das mensalidades para estudantes internacionais. A bolsa de excelência foi cancelada pelo Governo do Quebec para o ano de 2015-2016. Eu a obtive no Collège Montmorency, que não possui outros programas de bolsas para atrair imigrantes (ao contrário de outros Cégeps), assim sou um dos poucos alunos internacionais na escola (existem apenas 10, do total de 7600 alunos da escola).

[1] A bolsa de isenção significa que o estudante paga o mesmo valor que um estudante québécois durante todo o período do curso.

[2] É importante ressaltar que as bolsas de excelência são oferecidas aos estudantes que realizaram pelo menos um ano de estudo e é baseada na performance durante o ano escolar.

3. Como foi o processo de obtenção do visto?

Wagner : recebi uma carta de aceitação do cégep que mandei junto com outros documentos ao governo do Québec para pedir o CAQ (certificat de aceitação do cégep). Com o CAQ, consegui pedir o visto junto ao consulado do Canadá em São Paulo. O consulado demorou um mês para verificar os meus documentos e pediu uns exames médicos. Depois dos exames de saúde, mandei provas de capacidade financeira e novamente demorou um mês para ter uma resposta favorável, mas pediram outro exame médico com um médico credenciado do Canadá e esperei mais um mês antes de ter o visto no passaporte. Durou três meses e gastei uns R$ 1390 com visto, permissão de estudos e exames médicos.

Camila: Nosso processo de visto foi trabalhoso, porém tranquilo, pesquisamos incessantemente em sites do governo e de outros organismos para ter informações oficiais e em alguns blogs e sites especializados para conseguir algumas dicas de quem já vivenciou essa experiência. Conseguimos o visto em um tempo bem curto, demos entrada no início de janeiro de 2015 e no início de junho estávamos com ele em mãos. Depois foi só acertar alguns outros detalhes em relação à hospedagem, conta no banco e outras coisas mais e no dia 3 de julho chegamos em terras Canadenses.

Jefferson: Com certeza essa foi a parte mais estressante do processo, tanto para mim como para meu esposo. O Certificado de Aceitação Quebequense foi tranquilo, e todo feito on line e por correio, mas o Consulado Canadense recebe muitos pedidos de visto atualmente, então recebemos os pedidos de exame depois de dois meses. Foi um desafio ter que gerenciar a tensão e planejar exatamente o que fazer caso conseguíssemos o visto (pedir demissão, vender móveis, carro, etc.) e caso não conseguíssemos (decidir imigrar pelo processo convencional ou tentar Cégep no próximo ano, com mais dinheiro para declarar no visto), porque o tempo entre o resultado e o começo das aulas era curto.

4. Quais são as principais dificuldades durante os estudos?

Wagner: No meu caso, foram duas grandes dificuldades no início: o francês escrito e o sistema imperial. O francês escrito foi uma dificuldade, pois tive que escrever várias análises literárias e defender pontos de vista me baseando em processos literários, tais como figuras de estilo (métaphore, antithèse, métonymie, etc.) para comprovar as minhas ideias. Não é nada fácil escrever um texto de 900 palavras com uma sintaxe impecável e sem fazer muitos erros de ortografia logo quando você chega no Canadá.

No Brasil, a convenção é o sistema métrico. Tive que aprender o sistema imperial rápido porque todos os cálculos na minha área vêm de medidas feitas em polegadas, picas e pontos. Dias longos desenhando tortas para entender que 8/32 é a mesma coisa que 4/16, que 2/8 e ¼. Sei que parece “niaiseux” (bobagem), mas quando muda de um dia para o outro, assusta.

Camila: Estudar em um outro país, em uma outra língua é uma experiência um pouco assustadora no começo. Você não sabe como interagir com os alunos nem com os professores e você percebe que escrever um trabalho ou o dever de casa e prestar atenção na aula são tarefas muito mais difíceis do que você imaginava. O nível de exigência dos professores é bem diferente e você percebe que aqui as famosas “colheres de chá” não são tão abundantes quanto no Brasil.

Jefferson: Nos primeiros dias o sotaque de Montreal me parecia impossível de se compreender! Como tive muitas aulas com professores da região da cidade do Québec, consigo entender tudo o que as pessoas de lá falam (o francês de lá também é mais claro que o de Montreal). Hoje em dia a maior dificuldade são a quantidade de trabalhos, provas e os curtos prazos para realizá-los, o que exige um planejamento diário de tarefas, mas as coisas são desse jeito justamente para dar maior responsabilidade e preparação para o mercado de trabalho aos alunos.

5. Como a École Québec ajudou nestes processos? Quais níveis vocês fizeram na ÉQ antes de prestar o Test de Français International (TFI)?

Wagner: Iniciei na ÉQ sem saber uma palavra de francês. Tudo o que consegui foi graças à ÉQ. Todos os professores contribuíram, de uma certa maneira, ao meu sucesso, seja com um conselho, um contato, uma correção, etc. Fui bem aconselhado no caminho a seguir. Aprendi direto o francês québécois porque o meu objetivo era vir para o Québec. Em três anos, aprendi a falar com bastante fluência. Hoje, ajudo meus amigos québécois a escrever em francês.

Camila: Para nós a École Québec foi fundamental, me recordo de ouvir minha colega québécoise dizer diversas vezes “UAU, mas vocês sabem muita coisa sobre o Québec, mais do que muitas pessoas daqui que eu conheço, vocês se prepararam muito bem para vir para cá e isso, num bom francês québécois”. Tanto a língua francesa quanto a cultura québécois são largamente aprofundados na École Québec. Assim que chegamos notamos o quanto todas aquelas informações sobre a província e as pessoas daqui foram úteis, abrimos conta no banco na segunda semana sem a menor dificuldade, fomos até em festas e fizemos amizades no terceiro dia. Se eu pudesse voltar e fazer tudo de novo escolheria a École Québec sem pensar duas vezes.

Jefferson: Bom, se eu não tivesse feito a École Québec provavelmente não estaria aqui agora! Desde dicas que não achávamos na internet até conhecimentos locais sobre cultura e o sotaque quebequense, acho que tudo foi muito importante para imigrar para cá, além disso, a ÉQ tem uma importância muito grande que vai além do ensino, que é a formação de uma comunidade de quebequenses e brasileiros, que interagem e se ajudam. Fiz os níveis A1, A2, A3, B1, B2 e C1.

6. E agora, como estão as coisas? Está feliz com a sua vida no Québec?

Wagner: Estou no meu último ano (graduação prevista em maio de 2016). Estou muito feliz com minhas realizações e escolhas. Evolui muito em vários aspectos da minha vida desde que cheguei no Québec. Graças aos meus esforços, trabalho na Mattel (Mega Brands) como grafista/ilustrador e trabalho na área de criação e concepção de jogos, então faço trabalhos por marcas superinteressantes como Barbie, Howheels, Minions, American girl, Sponge Bob, Halo, Thomas the train, Dora the explorer, Powerpuff Girles entre outras marcas. É muito motivador se dar conta que realmente temos o potencial de alcançar nossos maiores objetivos. Faz dois anos que estou no Québec e estou vivendo um período importante de reconhecimento profissional e acadêmico. Resumindo, é um momento de colheita após todos os esforços que fiz no passado e que me deixam muito feliz.

7. Algumas dicas a mais para dividir com quem ainda está no Brasil?

Jefferson: Acho importante dizer que é muito útil após conseguir pontuação nos exames de proficiência focar na expressão, tanto oral como escrita, pois nós paramos o estudo na compreensão por causa do TFI, e a expressão tem sido nossa maior dificuldade na língua aqui. Outra coisa importante é se informar sobre o curso e a escola onde estudar aqui, se eles incentivam alunos estrangeiros, se existem outros tipos de bolsa. Os funcionários das escolas costumam ser bem prestativos e respondem todas as dúvidas, ou indicam quem possa respondê-las.

Wagner:

O inverno é muito bonito quando estamos de férias, não tanto quando vivemos com ele todo ano.

Para quem quer fazer Cégep, preparem-se financeiramente e linguisticamente (francês escrito principalmente). No plano financeiro, mesmo que você tenha bolsa, é muito difícil conciliar trabalho e estudos em tempo integral. Temos uma média de 7-8 matérias por semestre. Mesmo que você trabalhe só 10 horas semanais, fica muito puxado com as aulas, as leituras e os trabalhos. Quanto à língua, é preciso falar bem e escrever bem em francês para garantir o bom andamento das aulas. Vocês terão muitas leituras a fazer também. O software Antidote será seu oxigênio.

Os cursos no Cégep custam aproximadamente 7000 $CAN +tx por semestre. Se você conseguir uma bolsa de isenção, passará a pagar somente 150 $CAN. É o Cégep International que paga a diferença.

Muitos québécois dirão que o seu francês é muito bom e que você é super forte. Eles não fazem elogios para ser gentis com você. É porque reconhecem o seu esforço. O seu professor no cégep não compartilhará a mesma opinião. Aqui em Montréal, se não falar ou escrever bem em francês, não encontrará emprego facilmente.

Em Montréal, é necessário ter um nível de inglês avançado se quiser arranjar um trabalho. Se você só falar francês, as oportunidades serão limitadas.

Os québécois dão muita importância a palavra. Se você prometer algo, melhor cumpri-lo.

Gastei aproximadamente:

R$ 600 com as inscrições (cégep, UdeM, U.Laval, UQAM)

R$ 1012 em provas (TFI, TCF Québec, IELTS)

R$ 900 em traduções de documentos

R$ 495 com o envio dos documentos por UPS

Mensalmente, gasto:

Aluguel: 500 $CAN; Transporte: 85 $CAN; Supermercado:  300 $CAN; Academia: 35 $CAN; Telefone: 65 $CAN; Cégep: 150 $CAN / semestre; Livros: 150 $CAN / ano

Links interessantes

Para escolher o curso :

www.cegepsquebec.ca

ifpt.org

Sobre bolsas para estudantes estrangeiros:

http://www.fedecegeps.qc.ca/international/programmes-de-mobilite/exemptions-de-droits-de-scolarite-supplementaires-pour-etudiants-etrangers/