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Três dicas para sobreviver ao inverno quebequense

Postado por:Catherine Potvinem:26/03/2014

Para quem nunca vivenciou temperaturas abaixo de zero, as terras geladas do hemisfério norte podem assustar. O Québec é o país do inverno e quem decide adotá-lo, precisa encará-lo. Seguindo algumas regras básicas e com uma boa dose de vontade, abertura e atitude positiva, qualquer um sobrevive e aprende a aproveitar dos prazeres do frio quase polar. Monique, Juliana e Vinicius, três ex-alunos da École Québec, dão algumas dicas para se adaptar rapidamente à rigorosa meteorologia quebequense.

1. Se vestir adequadamente para não congelar.

Para aguentar os meses de frio, é bom investir em roupas de qualidade: comprar um bom casaco, luvas quentinhas, um gorro que cubra bem as orelhas e botas impermeáveis. Vale lembrar que a tecnologia de tecidos é muito desenvolvida no Canadá, o que permite encontrar casacos que protegem muito bem sem serem pesados demais – nem no corpo, nem no bolso. Para os mais friorentos, também existe a técnica “cascas de cebola”, que consiste em vestir várias camadas de roupas uma em cima da outra. E se engana quem acha que ficar coberto da cabeça aos pés é feio, de mau-gosto ou prova da ausência de estilo. A moda de inverno é criativa, pode ser colorida e até mesmo elegante.

A cabofriense Monique Caetano que imigrou para o Canadá faz um ano, aprendeu essa primeira regra desde que chegou. Pois ela deve enfrentar o frio diariamente para passear e brincar na neve com a cachorrinha Plié, que veio do Brasil com ela.

“Meus primeiros dias aqui foram difíceis porque eu não tinha um bom casaco, nem botas adequadas para o frio canadense. Mas depois que comprei boas roupas e aprendi a me vestir de acordo com a temperatura, eu saio de casa para passear mesmo que faça -30o C! O segredo é se agasalhar bem”, diz Monique, que admite não gostar do vento e muito menos da chuva de inverno, aquela que gela ruas e deixa calçadas escorregadias.

2. Se manter ativo

Outro fator explica por que Monique não sofreu tanto durante seu primeiro inverno em Montreal: ela continuou em atividade. Monique adora quando neva e se amarra em patinação no gelo. Para os esportes de inverno, o Canadá é um verdadeiro paraíso: esqui alpino, snowboard, caminhada nos bosques, etc. O que não falta é opção para continuar ativo durante a estação mais longa do ano.

Ao contrário de Monique, a carioca Juliana Noronha não é muito fã de esportes na neve. Ela prefere academia. Juliana mora na cidade de Québec, que fica a 250 km ao norte e alguns graus abaixo de Montreal. Mesmo sem ter adotado os esportes de inverno, Juliana aproveita a estação para fazer coisas que não faria tanto no verão. Gosta de ficar mais sossegada em casa, assistir a seriados e filmes, o que não a impede de respirar o ar muito fresco num SPA de inverno ou sair para experimentar novos restaurantes. Porém, ela confessa, o inverno dificulta a locomoção.

“Às vezes fico incomodada com o fato de não poder andar na rua na hora que eu quiser, e de uma simples ida à farmácia se tornar uma maratona de colocar várias roupas. Uma coisa que ajuda e muito a sobreviver no inverno é comprar um carro. Porque sem um carro, você já pensará três vezes antes de ir a algum lugar, por mais que os ônibus tenham horário, cinco minutos esperando no ponto já não é muito agradável”, explica a carioca. A cidade de Québec não possui metrô nem cidade subterrânea, como é o caso de Montreal.

O que mais surpreendeu Juliana nem foi o frio extremo ou o volume de neve, mas sim a duração do inverno. “Apesar de a estação durar três meses, na prática o inverno dura no mínimo cinco meses. É isso que acaba explicando aquelas cenas de filme que mostram as pessoas correndo para o sol no parque quando chega o verão. Foi exatamente assim que eu fiquei, precisando do sol”. Mas para suportar estes longos meses de pouca claridade, ela já encontrou um jeito de acelerar o tempo: como muitos Quebequenses, ela escapa uma semana para o Caribe com o marido.

3. Relativizar a adversidade

Para o gaúcho Vinicius da Souza, que também mora na cidade de Québec, a adaptação ao frio foi a parte mais fácil da integração. Ele diz preferir um dia de -10o C do Québec do que um de 5o C no Brasil. “Apesar de todo o extremismo usado pra relatar o frio e as situações adversas do inverno do Canadá, posso dizer que prefiro o inverno daqui ao inverno no Brasil. Aqui no Québec, só passamos frio quando queremos. No Brasil, as casas não são preparadas para o frio. Nem as roupas protegem com a mesma eficiência”, justifica.

Antes de imigrar, Vinicius pesquisou bastante na internet sobre a vida em Québec durante o inverno, o que facilitou a adaptação. “Informação é a chave pra enfrentar qualquer adversidade”, assegura. Chegar em Québec com a mente aberta também foi essencial para encarar a mudança radical de temperatura. “Se expor a situações novas como uma oportunidade de crescimento pessoal ajuda muito. Ter o espírito aberto e vencer uma situação difícil como um desafio faz com que tu se sintas parte do que é o Québec. Senão, como se sentir parte desta terra sem sentir, de fato, o frio?”, analisa.

Na opinião de Vinicius, a melhor dica para sobreviver ao inverno é relativizar as adversidades e lembrar das razões que motivaram a imigração. “Não há frio pior do que o de um cano de revólver encostando na tua pele. Não há frio pior do que o do coração de um corrupto desviando verbas de um hospital e matando seres humanos de todas as idades, ou ainda, negar educação à população para mantê-la sob domínio estatal. Não há frio pior do que a falta de justiça e outras representações de coisas negativas que temos no Brasil”, enfatiza.

É… na verdade, sobreviver ao inverno quebequense não é tão difícil assim…