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Québec procura enfermeiros

Postado por:Catherine Potvinem:10/02/2014

É urgente. O Québec está à procura de profissionais da saúde. De acordo com as previsões do Ministério da Saúde e dos Serviços Sociais da província, 28.000 vagas terão que ser preenchidas nos próximos cinco anos. Mais do que nunca, os enfermeiros brasileiros estão na mira.

O sistema de saúde do Québec é público e é bom. Porém, o envelhecimento da população e a falta de profissionais o enfraquece e esses dois fatores influem sobre a qualidade dos serviços. Para reverter a situação, Québec olha para o exterior e favorece a imigração de enfermeiros. Foi pensando nisso que o governo resolveu mudar as regras do processo de imigração para os profissionais da saúde. Desde agosto de 2013, os enfermeiros ganham 16 pontos em vez de 12. Eles são tratados como candidatos prioritários.

Viviane, enfermeira e candidata à imigraçaoPara poder se candidatar, é necessário ter um diploma universitário na área e experiência profissional. Como no processo comum, as pessoas com menos de 35 anos ou com filhos são as preferidas. Viviane Gesuato tem 35 anos e trabalha como enfermeira na ESF (Estratégia Saúde da Família) na Zona Norte de São Paulo. Soube do processo de imigração através de um amigo, e foi atrás de mais informações.

“Me interessei pelo assunto e agendei uma palestra de imigração ministrada pelo governo do Québec, onde pude conhecer melhor a proposta e esclarecer algumas dúvidas, o que me deixou mais segura para tomar a decisão da mudança.”

Viviane estudou francês na École Québec durante cerca de dois anos e se preparou durante três meses para fazer a prova do TCFQ, o Test de Connaissance du Français pour le Québec. Solicitou o Certificat de sélection du Québec (CSQ) e fez a entrevista oito meses depois. Agora só falta dar entrada no processo federal, iniciar a equivalência de diploma e obter junto à Ordem dos enfermeiros do Québec (OIIQ) o reconhecimento dos anos de experiência.

“Tenho várias expectativas, mas a principal é ter reconhecimento profissional. Tanto na questão financeira quanto no respeito à profissão. Além de viver uma nova experiência, quero poder viver em melhores condições, com mais segurança, lazer e saúde.”

Em Québec, o salário anual de um enfermeiro equivale, em média, a US$51 mil. Os supervisores recebem cerca de US$ 61 mil por ano. O crescimento profissional dentro da área é real e pode ser rápido, pois a experiência no Brasil é valorizada. Em apenas um ano, a paulista Ana Claudia de Arruda passou de estagiária a supervisora.

“Passei na entrevista de estágio do Hôpital Laval, na cidade de Québec, em janeiro de 2011. Durante o estágio, tinha sempre um enfermeiro comigo que me avaliava todos os dias. Depois de 30 dias, me tornei CEPI (candidata a enfermeira) e fiquei assim até setembro 2011, quando fiz as provas, prática e escrita, da Ordem dos Enfermeiros.  Me tornei enfermeira clínica, o hospital reconheceu todos os meus anos de experiência profissional e consequentemente ajustaram o meu salário. (…). Em dezembro, tive a oportunidade de fazer uma entrevista para o cargo de coordenadora de enfermagem numa casa de idosos, pois minha experiência no Brasil sempre foi em gestão. Comecei nesse trabalho em janeiro de 2012 e estou lá até hoje.”

Durante esse processo, Ana Claudia aprendeu muito. Apesar das falhas que existem no atual sistema da província, ela conseguiu evoluir profissionalmente, ampliando seus conhecimentos na área.

“O sistema de saúde do Québec é deficitário, como todo sistema de saúde público em qualquer lugar do mundo. Os hospitais são antigos, datam da década de 60, mas eles têm tecnologia de primeiro mundo, aparelhos novos e super tecnológicos. Para trabalhar é super interessante pois você aprende novas coisas, com novas tecnologias e procedimentos atualizados.”

A adaptação ao mercado de trabalho quebequense será muito mais fácil para quem tem um bom domínio da língua. Ana Claudia sabe disso e tem só um conselho para dar às pessoas que querem seguir o caminho dela.

“Estudem francês, estudem francês e estudem francês! É fácil se adaptar às pequenas diferenças técnicas e de procedimento, mas se você não tiver um bom francês, se você não se comunica bem, não consegue passar na prova da Ordem, não consegue ser respeitada pelos seus novos colegas de trabalho no hospital e desse jeito a sua integração vai ser muito difícil. Estudem o máximo de francês possível antes de vir, isso ajudará muito na integração no mercado de trabalho.”

E para Ana Claudia, não há dúvida! A École Québec é o melhor lugar para se preparar a imigrar.

“Me ajudou muito, pois aprendi tudo sobre a cultura do Québec. Aprendi a respeitar a forma dos quebequenses verem a vida, para poder me integrar na sociedade. Na École aprendi o francês do Québec, com o sotaque do Québec, o que ajuda a entender as pessoas aqui”.

E aí, partiu Québec?!